Ascensão e Pentecostes

As celebrações da Ascensão e de Pentecostes nos fazem pensar sobre a transição da missão de Jesus Cristo para a missão do Espírito Santo. Com a Ascenção, termina a vida terrena de Jesus Cristo. Com Pentecostes, começa a missão do Espírito Santo entre nós. As duas missões complementam-se na sua contribuição conjunta para imprimir o dinamismo de salvação que Deus desejou e deseja desenvolver no decorrer da história humana. As duas missões de tal modo se complementam que deveríamos procurar vê-las, não como duas missões separadas, mas como duas facetas da mesma missão.


Jesus Cristo viveu num espaço geográfico e num tempo histórico particulares: viveu na Plaestina, há dois mil anos. Mas, ao mesmo tempo, proclamou uma mensagem de significado universal e que, por isso, vale para todos os lugares, tempos e povos, vale para todas as situações onde o ser humano faz a sua vida.


Ora, como é que a pessoa e a mensagem de Jesus Cristo hão de chegar a todos os lugares e em todos os tempos? Através da missão do Espírito Santo. Este é que dá a conhecer o rosto de Jesus a todo o ser humano, designadamente a nós, mergulhados nas circunstâncias concretas da nossa vida. Os seres humanos vivem em circunstâncias tão variadas que, naturalmente, eles não vão compreender a figura de Jesus Cristo da mesma maneira. O ser humano relaciona-se com Jesus não de um modo abstrato, mas de forma concreta. Vê Jesus segundo a perspectiva que mais se adequa à sua condição de vida.


O Espírito Santo, que na Sagrada Escritura se descreve como sopro, é que ajuda o encontro entre a figura de Jesus e o coração humano encarnando-a em cada contexto histórico. Assim, podemos dizer que Jesus Cristo tem um rosto europeu, um rosto africano, um rosto americano ou um rosto asiático. Podemos afirmar também que o homem e a mulher, o jovem e o idoso, o rico e o pobre, terão modos diferentes de compreender a figura de Jesus. Ora, estes diversos modos de captar Jesus Cristo não têm necessariamente que se contradizer entre si, mas podem complementar-se no sentido de tornar visível ao mundo o rosto universal de Cristo, designadamente de Cristo crucificado e ressuscitado.


O acontecimento central da vida de Jesus Cristo é o seu mistério pascal, isto é, o mistério de sua paixão, morte e ressurreição. E este acontecimento central, tal como os outros elementos da sua vida, têm de ser dado a conhecer ao mundo inteiro. Através da ação do Espírito a figura de Cristo ressuscitado é engrandecida ao ponto de se aproximar de uma dimensão universal e cósmica.

A missão do Espírito Santo acontece tocando consciências e corações humanos, movendo as nossas próprias vontades. Os primeiros cristãos impelidos pela descida do Espírito Santo sobre eles, tinham um profundo sentido de comunidade. Ora, hoje sente-se, muitas vezes, a falta de sentido de pertencer a comunidade cristã, a falta de vivência conjunta da fé cristã. Não será isto nenhum sintoma de pouco cultivo da relação com o Espírito, de pouca atenção à sua presença em nós e entre nós, de pouca fidelidade aos seus apelos para tomarmos certas decisões e percorrermos certos caminhos?


O Espírito Santo ajuda-nos a aprofundar a nossa relação com Jesus Cristo através do trabalho comunitário. Será muito difícil, talvez impossível, ter uma vida de fé que perdure e cresça sem a dimensão de expressão exterior, que deverá ser sob a forma de partilha de vida e de serviço aos demais. A vivência interior e a expressão exterior potencializam-se mutuamente.

Compete-nos, pois, colaborar com o Espírito Santo. Para isso, precisamos descobrir por onde sopra o Espírito nas nossas vidas, perceber os seus apelos dentro de nós ou, então, através das outras pessoas e também dos acontecimentos. Ou seja, precisamos de cultivar as atitudes da oração e do discernimento.


No meio das realidades da vida de hoje, do ritmo exigente dos nossos dias, precisamos organizar espaços e tempos de serenidade, para tentar perceber quais desejos e movimentos interiores, os apelos que vêm de Deus, da Natureza e do Cosmo.


Esclarecida as Indicações que o Espírito nos dá na linha do serviço a Deus e ao mundo há que passar a ação à resposta consequente com a adesão a tais indicações. Os Espírito Santo leva-nos ao encontro das necessidades do mund, designadamente daqueles que estão à nossa volta, no qual habitualmente nos movimentamos e no qual temos uma certa capacidade de intervir.


Nota-se, no entanto, que o discernimento das indicações do Espírito Santo não é para ser feita apenas antes de partirmos para ação concreta. O discernimento deve vir acompanhando o desenrolar da ação. No mundo complexo dos nossos dias, é preciso ir entremeando o serviço com o discernimento e a ação com oração. As indicações do Espírito não são rígidas, mas seguem o dinamismo evolutivo das situações humanas. Hoje, o Espírito pede-nos o que é mais adequado para hoje; amanhã pedirá o que será mais adequado para amanhã. A fidelidade ao Espírito Santo é um processo dinâmico. Dessa forma, tornamo-nos todos discípulos de Cristo de maneira responsável e esclarecida através da fidelidade atenta sempre e renovada às indicações do Espírito Santo.


Comemorando Pentecostes


Nos quarenta dias que Cristo permaneceu na Terra após sua ressurreição, constantemente chamou a atenção de seus discípulos para aquilo que ainda deve ser feito. No dia de Pentecostes, sétimo domingo após a Páscoa os discípulos vivenciaram neles a atuação do Espírito Santo sobre a forma de línguas de fogo pousando sobre suas cabeças, despertando-lhes o dom adormecido da palavra que revela a verdade. Invadidos pela sabedoria da Luz e pela força do calor começaram a falar em outras línguas conforme o Espírito lhes concedia a expressão.

É a partir de Pentecostes que o ser humano é capaz de amar, reconhecendo no outro a sua própria humanidade, independente da raça, tribo, sangue e cor.

Esta evidência não foi uma vivência individual e sim da comunidade toda. Por isso, Pentecoste é uma festa comunitária. Uma sugestão para a sua comemoração é aproveitar os momentos de refeição onde cada membro da família se incumbede preparar algo bem bonito e gostoso. Essa preparação deve acontecer em conjunto e que se prepare e se ache algo que seja unificador.

Sua cor é o amarelo, que quer iluminar tudo. O espíritohumano deve ser luminoso, ir de encontro à Luz.

Na mesa de épocas podemos construir um pequeno arco decorado com motivos outonais (folhas secas, sementes…) e abaixo dele um pequeno casal que representa a possibilidade da vinda de uma nova vida. Uma pomba branca pode ser pendurada num canto bonito para as crianças verem, representando o Espírito Santo.


Sugestões alimentares em Pentecostes


Em Pentecostes, os discípulos vivenciaram a situação do Espírito Santo durante a atividade religiosa, que preencheu-lhes plenamente a alma e o espírito. Eles foram agraciados pela luz (sabedoria) e pelo calor. As refeições desse dia, portanto, devem conter essas qualidades. Em primeiro lugar, enfatizar mais do que normalmente o caráter social e comunitário da refeição. Cada integrante deve colaborar de alguma forma para concretizar essa celebração à mesa. A escolha dos alimentos que trazem luz e calor equilibradamente e que sejam de fácil digestão são os mais propícios. Alimentos como verduras de folhas e frutos, grãos como arroz integral, a aveia e o painço são bem recomendáveis. Convém, neste dia, evitar-se a carne, as leguminosas e alimentos gordurosos. Para sobremesa, um bolo ou torta integral de frutas secas.


Com as crianças


Pombinha quando tu fores

Escreve pelo caminho

Se não achares papel

As asas do passarinho

Da boca faz um tinteiro

Da língua, pena dourada

Dos dentes, letra miúda

Dos olhos, carta fechada

A pombinha branca voou, voou, voou

Voa! Voa! Pombinha Branca

Vai voando na amplidão

E traga a minha estrelinha

Do céu para o meu coração

Voa, voa, pomba branca

Ligeirinho, por favor

Levando a todos os cantos

Muita paz e muito amor!


Brincadeiras que tragam essas vivências comunitárias são as mais indicadas para as crianças . Podemos formar um trem com as crianças e enquanto o trem vai caminhando pela sala ou pelo pátio vão entrando amiguinhos de vários lugares do mundo. Escolhemos uma fase pequena de saudação e de despedida e falamos o idioma de cada novo passageiro, comprimentando-o enquanto entrar e sair do trem.


Também são recomendadas estórias rítmicas, versos e brincadeiras que falem de diferentes profissões: padeiro, marceneiro, sapateiro, etc.


Pentecostes


Só se finda

O saber dos sentidos

Se abre o portal

Das realidades da vida

Para o ser da alma.

A chave é forjada pela alma

Que se vigoriza em si mesma,

Na luta que poderes cósmicos

Travam no seu próprio reino,

Usando as forças humanas;

E quando a alma se afasta,

Por si mesma, o sono

Que envolve as forças do saber

Com noite espiritual

Nos confins dos sentidos.

Rudolf Steiner

(13) 3354-24-78

Praia do Guaiúba Guarujá

Av. Humberto Prieto Perez, 624

Jardim Guaiúba • Guarujá • SP

CEP: 11421-200

FALE COM A GENTE