Ela veio de uma escola Waldorf e agora?

Esse texto foi escrito pela Raquel do site Mamães Avessas e achamos muito interessante.


Decidimos compartilhar com todos que tem, no mínimo, curiosidade em saber mais sobre a nossa pedagogia.


Quando optamos pela pedagogia WALDORF para Marta ela tinha seus 2,5 aninhos e foram quase três anos “imersos” nesta opção educativa. Não paramos lá por acaso. Sabíamos o que buscávamos, porém não tínhamos um conhecimento amplo sobre o que era uma escola Waldorf, mas o pouco que sabíamos já nos convencia bastante.

O “mundo” lá dentro tem cheiro de criança misturado com natureza. As paredes são lisas, não tem números, letras, personagens comerciais, enfim… não tem informação, é apenas uma parede! A memorização não é prioridade enquanto a experiência do colocar a “mão na massa” ganha vida, cor e ação. Os brinquedos são de madeira, as bonecas de pano, as fadas de feltro, os materiais didáticos elaborados com o que a natureza nos oferece, as atividades todas dirigidas de maneira solta, leve, didática, mas sem pautas rígidas, de acordo com a elasticidade do “balanço” de uma criança e, por fim, no pátio, muito pé sujo, dedinhos livres e, consequentemente, corpos que se sentem livres e saudáveis.

Este “mundo” foi o nosso dia a dia. Fez parte da nossa rotina e conquistou o nosso respeito e admiração.


Fomos muito felizes lá, principalmente minha filha. Sei que aquele espaço deixou dentro dela importantes referências, de amigos, de carinho, de magia, de fantasia, de aprendizado e principalmente, de ter sido criança enquanto criança.


MAS, esta linda fase terminou. Não sei se algum dia retornaremos à “nossa” casa Waldorf novamente, mas no momento ela ficou em um delicioso e privilegiado passado.

Em agosto de 2015 deixamos o “nosso” Sol Dourado e em setembro minha filha começava em outra escola em Barcelona.


A escola que ela vai não é Waldorf, porém há semelhanças. Mas, nas paredes têm números e letras! Um dia na semana uma aulinha de inglês, muito lúdica, e todo o ensino acontece em duas línguas Català e Castellano (línguas que ela não tem domínio e fluência)!


Os desafios para ela, para nós, são muitos!


E ela veio de uma escola Waldorf, e ai?

E ai que hoje, depois de um mês de adaptação, chegamos à escola e minha filha me disse “tchau, mamãe!”


Hoje, percebi que aquele espaço também a conquistou e que ali ela também se sente uma criança segura.


Meu coração tá tão quentinho. Temia muito quanto à adaptação dela na escola. E hoje percebo o quanto que as minhas preocupações eram totalmente desproporcionais à capacidade dela.

Por essa experiência tão rica, tão cheia de observação, aprendizado, resolvi escrever este texto para compartilhar a nossa experiência com a pedagogia Waldorf, o que veio depois dela, e principalmente, como estamos nos adaptando a um cenário totalmente oposto.


Muito se fala sobre as linhas pedagógicas alternativas! Alternativas? Há muita crítica sem conteúdo, apenas crenças que se defendem.


Sobre a pedagogia Waldorf o principal desconhecimento é quando afirmam que as crianças vivem “em um mundo à parte”. E a partir dai muitos medos e interpretações equivocadas.


Vamos entender um pouco melhor sobre este “um mundo à parte”. Uma criança que é respeitada dentro da sua maturidade, que é enxergada de maneira única, que põe o pé na areia, que dialoga com a natureza, que se suja brincando, onde seu corpo respira em movimento, onde cuida dos menores e é cuidada pelos maiores, onde os limites aprendem através do lúdico, onde a arte tem a capacidade de ensinar, onde nas atividades trás o seu mundo interior para a concretização da sua obra, um lugar onde as diferenças realmente se misturam, se comunicam e se apoiam, onde os pais podem acrescentar, podem mostrar o seu sorriso ou desagrado, onde a autonomia, responsabilidade, segurança, criatividade, do ser humano são desenvolvidos de forma primorosa e construídos no olho no olho, enfim, um lugar organizado para entender e preservar a infância, como pode ser entendido como um mundo à parte?


Do portão para dentro há gente como a gente! E pais como nós!


Durante a adaptação da minha filha tem ficado tão claro para mim que ela veio de um “mundo”absolutamente real e as ferramentas que foram trabalhadas com ela realmente criaram importantes possibilidades dentro dela. Quanto à ausência de estimulação precoce para ler, escrever, à ausência do famoso dever de casa, à ausência de computadores, à ausência dos brinquedos da moda, à ausência de estimulação de idiomas, …. nada disso fez falta ou se tornou um problema para que ela pudesse recomeçar dentro de uma nova linha pedagógica. Repito, nada disso fez falta a ela.

Creio que o mundo “à parte” estamos vivendo nós, de uma maneira geral, cheio de barulho, de desorientação, de competitividade, de doenças, de consumo, de futuro, de menos valia, de telas, de fotos, de falta de conversa, enfim, de falta de infância, já que também carregamos uma criança dentro de cada um de nós.


Por que estamos, quase sempre, silenciando a nossa criança interna? É ela quem está cansada de viver em um mundo à parte do todo.

Leia na integra: http://www.mamaesavessas.com/?p=978

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